A chama da fogueira ainda crepitava no acampamento recém-silenciado. Dentre os corpos e o caos da curta batalha, um kobold havia sobrevivido — rendido, tremendo, e de joelhos diante de nós. Aproximei-me com cautela, pedindo com voz firme que largasse as armas e deitasse no chão. Obediente, ele atendeu de imediato, implorando por misericórdia. Com olhos arregalados e fala acelerada, lamentou suas escolhas, dizendo que jamais deveria ter dado ouvidos à mãe ou ao culto — que teria sido melhor se tivesse seguido o caminho dos grandes contos e se tornado um pirata, como nos sonhos que acalentava.

Hector assumiu o interrogatório com uma determinação firme como aço, decidido a extrair a verdade antes de definir o destino do prisioneiro. O pequeno ser, que se apresentou como G’nar, respondeu a todas as perguntas com detalhes: os cultistas estavam reunindo comida e tesouros com o objetivo de trazer Tiamat de volta, e os prisioneiros haviam sido levados para um acampamento não muito longe dali. Após ouvir tudo o que precisava, Hector declarou com convicção — para ele, o mal deveria ser eliminado, mesmo que agora demonstrasse arrependimento.

O restante do grupo, no entanto, se dividia. Discutíamos formas de permitir que o kobold partisse sem que voltasse a ser ameaça. G’nar, cada vez mais desesperado, implorava para não ser levado até o acampamento e pedia apenas que o deixássemos seguir até o mar, com sua rapieira, em busca de sua sonhada liberdade. No fim, deixamos Hector com a responsabilidade e o peso da escolha. Relutante, ele cedeu. Antes de deixá-lo ir, Hector entregou a G’nar um amuleto de Bahamut e orientou-o: se encontrasse algum cultista, deveria mostrá-lo como sinal de redenção — um símbolo de fé e proteção.

Entreguei ao pequeno kobold sua rapieira, e Seraphina, num gesto gentil e prático, ofereceu-lhe um de seus cogumelos, capaz de deixá-lo levemente embriagado — uma precaução contra impulsos hostis. G’nar partiu, cambaleante e livre, para o desconhecido azul que o chamava.

Voltamos nossa atenção ao tesouro tomado dos cultistas. Hector afirmou que ele pertencia à cidade, mas não demonstrou intenção de retorná-lo de imediato. Armyn sugeriu levá-lo conosco a cavalo. Propus outra ideia: esconder parte do tesouro, usando apenas uma fração dele — cinquenta peças de ouro para cada um — para adquirir poções e garantir que estaríamos prontos para seguir com a missão. Argumentei que nossa causa era maior que moedas, e que embora não houvesse comerciantes por perto, era nosso dever estarmos preparados para enfrentar o que viria. Enterramos o restante do tesouro em um local discreto e partimos com o essencial.

Inspirados por algo que G’nar havia dito, bolamos um plano para nos infiltrarmos no acampamento inimigo: quatro de nós vestiriam as roupas dos cultistas mortos, enquanto Seraphina se disfarçaria com armaduras kobold. Com o sol se pondo e as sombras nos envolvendo, deixamos para trás o campo de batalha — agora disfarçados e decididos a levar nossa missão adiante.


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