Espiões no Vale Sombrio

Seguimos viagem após a partida de G’nar, atravessando trilhas e campos até que, ao final da tarde, avistamos o acampamento do culto. Encravado em um vale estreito, o local era naturalmente protegido por colinas em quase todos os lados, com exceção de uma única entrada por onde os cultistas vinham e iam com liberdade.

Munidos de nossos disfarces, atravessamos a entrada com confiança e olhares atentos. Sabíamos que, para extrair informações, seria melhor nos separarmos e explorar diferentes pontos do acampamento. Precisávamos entender onde estavam os prisioneiros, quais eram os planos dos cultistas, e o que mais poderíamos descobrir sobre aquela operação dedicada a Tiamat.

Armyn, com sua lábia afiada e simpatia natural, infiltrou-se entre os trabalhadores, oferecendo ajuda com as tarefas manuais e conversando com todos ao redor como se sempre tivesse pertencido àquele grupo. Com seu jeito despretensioso, logo estava colhendo pequenos fragmentos de informação, distribuídos entre conversas e ordens murmuradas.

Hector, determinado e reservado, decidiu circular sozinho pelas áreas externas, observando movimentações e ouvindo discretamente o que podia. Seraphina Folha de Chá, sempre discreta e atenta, o acompanhou com passos leves e ouvidos aguçados, como quem apenas vagava em busca de ordens.

Linda Pequeno e eu optamos por caminhar juntos. Nosso disfarce chamou a atenção de um cultista mais graduado, que, sem grandes explicações, nos designou a uma torre de vigia nas bordas do acampamento — exatamente a posição que precisávamos.

Lá de cima, tirei minha luneta recém-adquirida e comecei a observar tudo com atenção. Estimamos que o acampamento abrigava cerca de 300 pessoas, distribuídas em três zonas distintas. Na parte frontal, estavam os kobolds e mercenários, visivelmente mais desorganizados e ruidosos. Mais ao fundo, uma área separada por tendas negras e pavilhões abrigava os cultistas verdadeiros, que operavam com mais disciplina.

Conseguimos identificar zonas dedicadas à criação de dragonetes, organização e triagem de tesouros, e, com alívio e urgência, uma área onde os prisioneiros estavam sendo mantidos sob vigilância constante. O ouro e os itens valiosos que chegavam ali não ficavam por muito tempo: eram levados a uma caverna no extremo do acampamento, guardada com especial atenção — algo importante, talvez vital, se escondia em seu interior.

Tendo compreendido a estrutura e as divisões do acampamento, tudo que restava agora era reencontrar nossos companheiros e traçar o plano que nos levaria aos prisioneiros… e talvez à verdade sobre o que se esconde por trás dos rituais do culto.


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