Ideias Explosivas

Leozin nos deixou de volta na estalagem, e logo nos reunimos em uma das mesas para discutir o próximo passo. Era tarde, a luz do dia começava a baixar, e o salão estava quase vazio. Sem mapas oficiais, fizemos o que podíamos: rasgamos pedaços de papel e começamos a desenhar, de memória, o layout do acampamento e da entrada da caverna.

Sabíamos que precisávamos entrar naquela caverna, mas com o número de cultistas ainda espalhados pelo acampamento, qualquer tentativa direta seria suicídio. Precisávamos de uma distração. Algo grande. Algo que obrigasse todos a olharem para outro lado.

Foi então que lembramos da última vez em que uma distração funcionou: Hector, com sua ousadia e senso prático, havia incendiado as torres de vigia. Quando o questionamos sobre como havia feito aquilo, ele explicou com simplicidade: um truque com óleo e uma vela, criando um fogo com tempo suficiente para ele escapar antes de tudo virar cinzas. Simples… e brilhante.

O problema é que agora não havia mais torres para queimar. O fogo anterior havia resolvido isso muito bem. Precisávamos de algo maior… algo como uma explosão.

A ideia de explodir alguma coisa ficou rondando nossa conversa como uma ameaça mal contida. Sabíamos também que nossos rostos já eram conhecidos por lá desde o duelo com Langdedrosa Cyanwrath, então outra possibilidade surgiu: e se criássemos uma distração usando cópias falsas de nós mesmos? Fomos nós que sugerimos a Arkain que, como mago, talvez pudesse criar uma ilusão com a nossa aparência para atrair a atenção dos cultistas.

Mesmo assim, a discussão entrou num ciclo vicioso. Sem pólvora ou explosivos, nossos planos de destruição continuavam sendo só conversa. Então, tomando a iniciativa, fui até Leozin para perguntar sobre pólvora. Ele me ouviu com aquela expressão que mistura incredulidade com divertimento mal disfarçado. Quase riu. Deixou bem claro que pólvora era rara, cara e que o que ele esperava de nós era apenas uma missão de reconhecimento — nada de grandes espetáculos explosivos.

Voltei para a estalagem de mãos vazias e um pouco menos convencida da viabilidade do nosso plano.

Sem outras opções, resolvemos o mais sensato: ir até o acampamento, observar de longe e, só então, decidir os próximos passos.

Tínhamos tempo… e um plano que, por enquanto, existia apenas na teoria.


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