Nosso plano, se é que podia ser chamado assim, era simples: observar o acampamento antes de qualquer decisão mais ousada. A ideia de enviar apenas batedores parecia arriscada demais. Se algo desse errado, eles estariam sozinhos, sem chance de apoio. Então decidimos que iríamos todos juntos até uma distância segura, e dali, só então, enviaríamos alguém para uma aproximação final.
Armyn nos guiou pela floresta com a habilidade que só um elfo acostumado ao mato poderia ter. Evitamos os postos de vigia do perímetro com facilidade, cortando caminho entre árvores densas e trilhas pouco usadas.
Foi então que avistamos algo inesperado: marcas frescas de carroças e cascos, sinal de trânsito pesado. Mal tivemos tempo de nos entreolhar, e um pequeno comboio surgiu à frente. Cavalos e carroças, vindos direto da direção do acampamento. Nos escondemos entre as folhagens e observamos em silêncio. Não era um grupo isolado… ao longo do caminho, vimos mais e mais caravanas partindo.
Aquilo era estranho.
Quando nos aproximamos do vale onde o acampamento se localizava, decidimos que Armyn, Serafina, Arkain e eu avançaríamos para um ponto mais próximo da borda do penhasco. Hector ficou mais atrás, cuidando da retaguarda, caso fosse necessário recuar.
A visão lá de cima foi quase chocante: o acampamento, que antes fervilhava de vida, agora estava praticamente vazio. Apenas um pequeno grupo de patrulheiros estava reunido no centro do vale… e, pelo que vimos, eles estavam mais preocupados com suas garrafas e pratos do que com a segurança do local.
Precisávamos de mais informações antes de tomar qualquer atitude precipitada.
Serafina, como sempre engenhosa, decidiu se transformar em um pequeno escorpião. Enquanto isso, Arkain invocou sua coruja, criando um plano rápido: a coruja levaria Serafina até próximo do grupo de patrulheiros para que ela pudesse escutar a conversa, enquanto, depois, o familiar voaria até a entrada da caverna para investigar.
O primeiro passo foi um sucesso. Serafina, em sua forma diminuta, conseguiu ouvir que o acampamento realmente estava sendo desmontado, e que os poucos homens restantes ali estavam apenas de vigia… ou fingindo vigiar, enquanto bebiam e comiam sem cerimônia.
Mas o segundo passo… não correu tão bem.
Assim que a coruja entrou na caverna, algo a atingiu com violência. Arkain, que enxergava através dos olhos do animal, perdeu a conexão quase imediatamente. Se havia alguma dúvida de que a entrada da caverna era perigosa… agora tínhamos a certeza.
Sabíamos que nossa próxima parada seria lá dentro.
Voltamos até Hector e informamos o que havíamos visto. Em silêncio, e com o máximo de discrição, fomos até o penhasco próximo à entrada da caverna. Amarramos cordas e começamos a descer, um a um.
Fiquei por último, com a luneta em mãos, observando os patrulheiros no centro do acampamento. Por um breve segundo, tive a impressão de que eles haviam nos notado… mas se foi o caso, ou não se importaram… ou estavam bêbados demais para se importar.
Desci por fim. Agora, todos juntos, nos preparamos para o que nos aguardava lá dentro.
A entrada da caverna estava à nossa frente.
O silêncio da pedra parecia nos observar de volta.

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