Seguimos pela escadaria de pedra que Armyn havia apontado, descendo com cautela. Hector foi na frente, escudo erguido e iluminado com a magia que ele mesmo conjurara. Atrás dele, Armyn com o arco em mãos, depois Seraphina e Arkain, enquanto eu fiquei por último, protegendo a retaguarda.
Não vi com meus próprios olhos o que aconteceu lá embaixo, mas me contaram depois — uma cena digna de um teatro de comédia.
Assim que Hector chegou ao fim da escada e pisou no chão, deparou-se com um refeitório inteiro. Cultistas e soldados do culto de Tiamat, comendo tranquilamente em suas mesas, se viraram ao mesmo tempo para encarar o paladino reluzente que acabava de surgir. Por um segundo, tudo ficou em silêncio. Todos congelados. Eles o olharam. Hector os olhou de volta.
E então o caos começou.
Os guardas e cultistas se levantaram de repente, armando-se com o que podiam para enfrentar o invasor solitário. Hector gritou para trás com toda a força:
— Recuar!
Armyn e Seraphina, que estavam logo atrás dele na escada, ouviram o alerta e também começaram a recuar apressados, tentando ganhar distância. Não vi o início, mas ouvi a gritaria de onde estava.
Seraphina pensou rápido. Parou por um instante na escada e conjurou um Círculo da Lua, criando uma barreira de luz mística bem na boca da escada. Agora, qualquer cultista que quisesse alcançar Hector precisava atravessar aquele campo de energia, arriscando-se a queimaduras dolorosas.
Mesmo assim, alguns soldados conseguiram passar antes que a barreira estivesse totalmente erguida, alcançando Hector em meio à confusão. Ele os enfrentou de frente, o escudo bloqueando golpes, a espada encontrando carne, mantendo-os afastados… ou cortando-os onde estivessem.
Foi então que Hector sentiu uma flechada atingir suas costas.
Ele girou para olhar por um instante, confuso. Nenhum inimigo estava atrás dele…
Armyn, ainda com o arco na mão, congelou ao perceber o que havia feito. No calor do combate, havia disparado sem atenção suficiente… e a flecha encontrou o único aliado que ele não podia errar.
Não houve tempo para discutir. O combate ainda estava longe de terminar.
Lá no topo da escada, Arkain, Seraphina e eu já esperávamos. Assim que Armyn e Hector subiram de volta e o primeiro cultista colocou a cabeça para fora da escada… fomos ao encontro deles.
Minha rapieira foi a primeira a encontrar um alvo, perfurando o primeiro que tentou sair. Depois outro… e outro. Os cultistas começaram a se amontoar, tropeçando nos corpos uns dos outros, alguns caindo e rolando escada abaixo.
A situação havia se invertido. Agora éramos nós quem tinha a vantagem. Criamos um funil de morte na saída da escada, e até os poucos que conseguiam passar pela barreira da Seraphina e por nós… davam de cara com Hector, que já estava do outro lado, preparado para interceptar qualquer um que escapasse da nossa emboscada.
Foi nesse momento, entre o som de passos apressados e gritos de pânico, que ouvimos um deles, isolado, gritar em desespero:
— Eu não vou ficar aqui!
E disparou escada abaixo, recuando sozinho.
O sinal que precisávamos. Eles estavam começando a desmoronar.
Agora… era nossa vez.
O banquete deles acabara. E a caçada estava só começando.

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