Olhando do platô, o único caminho era voltarmos, na direção da saída da caverna. Ainda não sabíamos se o caminho seria direto ou se teríamos que refazer todos os nossos passos, mas algo dizia que esse era o caminho a seguir. Nossas forças estavam no limite, e a ideia de luz do sol era um bálsamo para a alma.

Passando por uma ponte de madeira, chegamos ao próximo platô. Seraphina, com sua agilidade e faro apurado, foi na frente para observar se havia algum perigo. Ela se colocou na frente de algumas pedras e garantiu que não havia nada para vermos ali, isso tudo enquanto o platô fedia a mofo – um cheiro que, a essa altura, já era quase familiar.

Atravessamos uma segunda ponte de madeira, e nos vimos novamente no platô inicial, perto da entrada da caverna, onde enfrentamos aqueles malditos Garras do Dragão. O ar aqui já era mais fresco, e a promessa do mundo exterior nos impulsionava.

Continuamos nosso caminho, e logo estávamos fora da caverna. A luz do dia, mesmo que fraca, era um alívio para os olhos cansados. E agora, tínhamos apenas que lidar com aquele grupo de patrulheiros que pareciam ter ignorado nosso movimento. Mas antes que pudéssemos pensar sobre isso, eles já estavam nos esperando na porta da caverna. Não estavam de forma ameaçadora, mas tranquilos, quase complacentes.

Antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, começaram a falar. Disseram que trouxeram carne de caça que haviam pedido e que gostariam de receber. Eu, com a mente rápida e a língua afiada, tomei a frente. Falamos que o grupo da caverna não estava mais lá, e que o trabalho deles havia acabado. Mas, para adoçar a pílula, acrescentamos que se eles descessem na caverna, encontrariam uma adega cheia de vinho, e que poderiam se servir à vontade.

Os patrulheiros nos deixaram passar sem problemas. Ainda bem, porque não tinha mais forças para uma nova luta. A aventura nunca é tão simples quanto os bardos cantam, e às vezes, a melhor espada é uma boa mentira. Tymora havia nos agraciado com uma saída, e eu continuava a confiar em sua ajuda.

De volta à cidade, a exaustão pesava mais do que qualquer tesouro. Nossos corpos clamavam por descanso, e a mente, por um momento de paz antes da próxima investida. Leosin já havia nos instruído: o próximo passo seria Elturel, onde ele e seu aliado, Ontharr, estariam à nossa espera. Com os mapas de Hector em mãos, revelando uma teia de destruição que se estendia pelos reinos, sabíamos que não havia tempo a perder, mas um dia de repouso era vital. Assim, na manhã seguinte, com as energias renovadas e o propósito afiado, selamos nossos cavalos e partimos rumo ao norte, para Elturel. A melodia da próxima jornada já começava a tocar, e eu, Mira Nocturna, estava pronta para mais um ato.


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