Partimos para Elturel, com as palavras de Leosin ecoando em nossos ouvidos: lá nos encontraríamos com ele e com o tal Ontharr. Selamos nossos cavalos, preparamos nossa comida e, com o sol nascendo, partimos. Foram poucos dias de cavalgada, e, para nossa surpresa e alívio, não tivemos problemas. A estrada foi gentil, e finalmente, chegamos a Elturel.

A cidade, embora pequena, era visivelmente maior que Ninho Verde, e fervilhava com uma energia contagiante. Chegamos em meio a algum tipo de festival, com pessoas participando de todo tipo de jogos: dados, braço de ferro, competições de arco e flecha… uma profusão de distrações. O ar estava carregado de risadas, música e o cheiro de comida de rua.

Estávamos caminhando, tentando absorver a atmosfera e, ao mesmo tempo, procurar por Ontharr, o homem que Leosin nos garantiu que nos ajudaria, quando um sujeito gordo e barbudo, envolto em uma armadura completa, veio em nossa direção. Parecia um cavaleiro, e com certeza saberia onde encontrar nosso contato. Antes que pudéssemos sequer abrir a boca, ele nos abordou, com um sorriso largo e uma voz que parecia um trovão abafado. “Aventureiros, não é? Vão participar de algum dos jogos? A cidade está em festa!”

Dissemos que não tínhamos tempo para festividades, que procurávamos Ontharr com urgência, enviados por Leosin. Ele riu, um riso alto e grosso que fez sua barba balançar. “Ontharr, é? Pois bem, estão olhando para ele!” A surpresa nos atingiu. Aquele era o famoso Ontharr? O mesmo que Leosin nos enviou? Explicamos que Leosin nos havia mandado e que precisávamos conversar com ele urgentemente sobre assuntos do culto. Mas ele, com sua postura imponente e um brilho divertido nos olhos, apenas balançou a cabeça. Estava ocupado, tinha os jogos para organizar, e a conversa poderia esperar. Insistentemente, ele queria saber se iríamos participar.

Percebemos que não adiantava pressionar. Aquele cavaleiro era como uma muralha de bom humor e teimosia. Só depois dos jogos conseguiríamos sua atenção. Então, nos dispersamos, cada um buscando uma forma de passar o tempo e, quem sabe, ganhar algo.

Eu, é claro, decidi participar do jogo de poker. Um jogo de enganar… digo, um jogo de mente. Onde a astúcia e a leitura das pessoas valem mais que qualquer espada. Hector, com sua força inabalável, foi obviamente para o braço de ferro. Armyn, com sua precisão élfica, escolheu os dardos. Seraphina, sempre conectada à natureza, se viu envolvida em uma competição de identificação de ervas e cogumelos, onde seu conhecimento peculiar se mostrou uma vantagem inesperada. E para a surpresa de todos, o próprio Ontharr, com sua figura imponente e riso fácil, decidiu testar suas próprias habilidades contra ela. Ele era, literalmente, um grande adversário, mas Seraphina, com sua calma e precisão, superou-o, conquistando a vitória com um sorriso discreto. Arkain, por sua vez, não se interessou por nenhum dos jogos. Com sua mente analítica, preferiu usar sua habilidade investigativa para sondar os cantos da cidade, talvez buscando informações que os jogos não revelariam.

No final do dia, a sorte me sorriu, ou talvez tenha sido minha habilidade em ler as expressões alheias. Consegui o primeiro lugar no meu jogo. Se não tivesse conseguido, bem… teria sido obrigada a “encontrar alternativas”, se é que me entendem. De nós quatro, Armyn foi o único a tirar prata nos dardos. Acho que ele deu azar, ou talvez a mira estivesse um pouco embaçada depois de tanto tempo na caverna.

A noite caiu sobre Elturel, e a promessa de uma conversa séria com Ontharr pairava no ar. A urgência da missão de Leosin nos impelia, e cada momento de distração era um lembrete de que não tínhamos tempo a perder. Mas, por um breve momento, nos vimos parte da festa, com a certeza de que, ao amanhecer, a verdadeira melodia da aventura voltaria a nos chamar.


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