Dentro do forte, o prefeito Nighthill nos mostrou, através de uma luneta, duas situações críticas que exigiam nossa atenção imediata. De um lado da cidade, o templo estava cercado por invasores, com os habitantes presos lá dentro, desesperados por ajuda, enquanto do outro lado, o moinho – que guardava a farinha e os grãos que alimentavam a cidade – estava prestes a ser incendiado por outro grupo de invasores.
Nighthill nos informou que poderíamos chegar a esses locais através de um túnel subterrâneo, que saía do forte e levava até o rio, de onde poderíamos seguir em duas direções: uma levava ao templo, e a outra ao moinho. A decisão foi difícil, mas, após uma rápida discussão, escolhemos salvar o moinho, já que a comida era vital para a sobrevivência da cidade e não podíamos arriscar perdê-la.
Antes de entrarmos no túnel, estabelecemos um código com os guardas: “Pepe, já tirei a vela”. Essa frase seria nossa senha para garantir que os guardas soubessem que éramos nós voltando, e não inimigos tentando se infiltrar.
Descemos pelo túnel, uma passagem estreita e úmida, que se abria à uma antiga galeria subterrânea de pedra fria que levava água ao rio, sendo iluminada apenas pela luz bruxuleante das tochas que carregávamos. O ar pesado cheirava a terra molhada e musgo, e nossos passos ecoavam contra as paredes úmidas, enquanto a água gotejava de alguma fenda invisível no teto abobadado.
No meio do caminho, onde a galeria se alargava, fomos surpreendidos por dois ratos gigantes selvagens, com olhos brilhantes e dentes afiados. Eles avançaram em nossa direção, prontos para atacar. O paladino e o arqueiro elfo se prepararam para o combate, mas, antes que pudéssemos agir, a hobbit cogumelenta murmurou algumas palavras mágicas em um idioma que não reconheci. Para nossa surpresa, um dos ratos parou de repente, seus olhos perdendo a ferocidade, e se aproximou dela, quase como se estivesse pedindo carinho.
O outro rato, no entanto, continuou avançando, e o arqueiro, com sua flecha já empunhada, disse com um tom irônico: “Por que você não é bonzinho como seu amigo?” Antes que o rato pudesse reagir, a flecha do elfo atingiu seu alvo, e o rato caiu ao chão.
Com um rato morto, o paladino não hesitou e acabou com o rato enfeitiçado, o que gerou um barulhento protesto da hobbit cogumelenta, mas que foi encerrado com um jogar de ombros do paladino.
Continuamos pelo túnel, quando chegamos ao rio, seguimos a margem até o moinho, onde, para nossa surpresa, não havia invasores por perto. O cheiro de óleo impregnava o ar, mas não havia sinal de que o fogo já tivesse sido ateado, o que nos deixou desconfiados. O paladino, com sua intuição aguçada, sugeriu que não perdessemos tempo ali, parecendo inquieto, como se pressentisse que estávamos no lugar errado. Decidimos seguir seu instinto e partimos rapidamente em direção ao templo.
Chegando lá, vimos uma cena desoladora: o templo, uma grande construção imponente, estava cercado por tropas de invasores que andavam em círculos ao redor, vigiando cada movimento, enquanto a tropa principal tentava arrombar a entrada principal, e os gritos dos reféns ecoavam de dentro.
Foi então que a hobbit cogumelenta agiu, com um gesto rápido e preciso, invocando uma névoa espessa que cobriu a frente do templo e obscureceu a visão dos invasores. Isso nos deu a cobertura que precisávamos para agir, e aproveitamos a distração para atacar a tropa que guardava a entrada dos fundos, eliminando-os rapidamente.
Conseguimos resgatar os sobreviventes, que estavam assustados e feridos, mas vivos. Enquanto a névoa ainda cobria a frente do templo, mantendo os invasores desorientados, rapidamente os organizamos e os guiamos de volta para a segurança do forte, usando novamente os túneis secretos.
Ao chegarmos à saída do túnel, falamos o código combinado: “Pepe, já tirei a vela”. Os guardas, reconhecendo a senha, abriram a porta, permitindo que entrássemos com os civis. Eles ajudaram os sobreviventes a se acomodar e garantir que todos estivessem a salvo.
Enquanto isso, notei que o portão principal do forte estava destruído, suas pesadas portas de madeira reduzidas a estilhaços e as vigas de ferro retorcidas. Era um lembrete brutal de que o perigo ainda estava muito próximo. O prefeito Nighthill nos agradeceu com um aceno solene, mas sabíamos que o trabalho ainda não havia terminado. A cidade ainda estava em chamas, e os invasores continuavam à solta.

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