O prefeito Nighthill nos informou que seus magos precisavam de mais tempo para reconstituir o portão destruído, mas os invasores não pretendiam nos dar essa trégua. Já se aproximavam do lado de fora, em direção ao portão. A decisão foi tomada: precisávamos agir.
O paladino e eu assumimos a defesa direta do portão. Enquanto isso, nossos companheiros — a hobbit com seus cogumelos, o elfo de olhos atentos e mãos certeiras, e a hobbit, sorridente e perigosa como um truque bem feito — se posicionaram nas ameias superiores, preparados para atacar de cima com tudo o que tivessem à disposição.
O paladino plantou-se diante da entrada como uma muralha viva, sua espada cortando cada kobold ou cultista que ousava se aproximar. Eu me movimentei ao redor do seu flanco, minha espada dançando para interceptar qualquer tentativa de cercá-lo. Aos poucos, criamos uma barreira de corpos caídos – cultistas humanos, kobolds e até um pequeno dragonete que se provou bem difícil de cortar.
“À esquerda!” gritei para os nossos no alto do forte, apontando para um aríete que se aproximava. Eles fizeram chover flechas em chamas sobre ele, inutilizando-o rapidamente.
No momento crucial, pulei de volta para dentro do forte, mas o paladino permaneceu lá fora, brandindo sua espada. “Vão trazer reforços!”, ele gritou, e estava certo – novos inimigos surgiam no horizonte.
Então, algo inesperado aconteceu. O ataque cessou. Os cultistas recuaram, formando um corredor. Seus murmúrios se transformaram em cantos e gritos de celebração. De suas bocas ecoava um nome em uníssono: “Langdedrossa! Langdedrossa!”
E então ele apareceu.
A figura imponente de um draconato azul surgiu no campo de batalha, caminhando com a confiança de alguém que conhecia bem o próprio poder. Suas escamas reluziam como relâmpagos em noite de tempestade, e seus olhos cintilavam com uma inteligência feroz e cruel.
“Ouçam-me, vermes!”, sua voz trovejou, firme como trovão. “Sou Langdedrossa Cyanwrath. Ofereço um desafio: combate singular. Se vencerem, partimos. Se eu vencer, o forte é nosso.”
Recuamos para dentro por alguns minutos preciosos. Enquanto o paladino e os curandeiros cuidavam dos nossos ferimentos mais graves, trocamos olhares silenciosos. Todos sabíamos o risco, mas também a oportunidade que aquele combate singular representava.
Os cinco de nós saímos juntos para enfrentá-lo. Lutamos como nunca – o paladino com sua força inabalável, as hobbits com sua astúcia, o elfo com sua precisão… e eu com minhas palavras afiadas.
Foi meu erro.
Alguma bravata que soltei – não lembro ao certo o que disse – fez seus olhos se estreitarem de ódio. “Você primeiro, barda!”, ele rosnou, antes de liberar todo o seu poder contra mim.
O mundo explodiu em luz azul. Uma dor aguda percorreu meu corpo, e então… escuridão.
Quando voltei a mim, o paladino estava sobre mim, suas mãos brilhando com energia curativa. “Não morra ainda”, ele resmungou. “Ainda precisamos da sua língua afiada.”
Lá fora, Langdedrossa Cyanwrath jazia inconsciente no chão, e dois generais — de postura altiva e armaduras impecáveis — gritavam ordens para que ele fosse carregado. Os cultistas e kobolds, agora desorganizados, começaram a recuar, arrastando corpos e abandonando equipamentos, enquanto a poeira da batalha ainda pairava no ar.
Pareciam estar indo embora. Pareciam...

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