Os kobolds, pegos de surpresa e sem seu arsenal de jarros, não pensaram duas vezes. Começaram a correr, indo um para cada lado, como ratos assustados. Eu não tive dúvidas: pulei para dentro do buraco onde eles estavam se escondendo, minha rapieira pronta para o que viesse. Os kobolds, por sua vez, também não tiveram dúvidas, e aqueles que conseguiram pularam para a parte de cima, onde encontraram o restante do grupo.

Um pequeno grupo de kobolds jamais seria problema para o nosso grupo, pelo menos foi o que Seraphina pensou. Ela havia tomado alguns golpes do estrangulador e voltado à sua forma humana – ou hobbit, neste caso – e considerou que a batalha estava ganha. Com isso, o baú que ela havia visto no começo do combate, antes de toda a confusão com os jarros, chamou a atenção dos seus olhinhos hobbit, e lá foi ela, com sua determinação peculiar, para abrir os tesouros.

Correu e abriu.

Uma armadilha perfeita. Assim que ela abriu o baú, ácido começou a jorrar das pilastras do templo, não apenas cobrindo o chão, mas formando uma nuvem fétida e corrosiva que subia rapidamente. Ao mesmo tempo, ouvi o barulho de quebrar do último ovo de dragão. Aquilo foi demais para Seraphina, que tanto ama animais. Ela não teve nem mesmo tempo de protestar antes que Hector quebrasse o ovo, e agora estava catatônica, paralisada pelo choque e pelo cheiro, enquanto nós ainda lidávamos com um dragonete e os kobolds restantes.

Armyn foi rápido. Com um salto impressionante, pulou na direção dela, a agarrou e arremessou-a em um ponto mais alto, longe da nuvem ácida. Algo indigno, ser arremessada assim, talvez, mas útil. Armyn pegou o baú – sim, o baú! – e correu para uma área livre de ácido, mas não ficou incólume; um pouco de ácido queimou sua pele.

Com ambos a salvo do ácido, eliminar o dragonete que faltava e os kobolds foi rápido para nós três: Hector, Arkain e eu. Com isso, pudemos novamente respirar. Sim, havia ácido, mas estávamos em uma área um pouco mais elevada, e sendo assim, foi uma questão de esperar que o ácido escorresse pelas fissuras no solo.

A aventura nunca é tão simples quanto os bardos cantam, mas às vezes, é uma bagunça ácida e hilária.


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