Juntei-me a Seraphina e Hector no que se revelou ser o aposento de Rezmir, a temida Presa de Dragão. O lugar, para uma caverna, era surpreendentemente… habitável. Guarda-roupas de madeira escura, uma escrivaninha com papéis espalhados, uma estante cheia de livros. Era um ninho de informações, e sabíamos que precisávamos vasculhar cada canto.

Hector, com sua persistência de paladino, foi o primeiro a encontrar algo realmente valioso. Entre os papéis na escrivaninha, ele desdobrou um mapa. Não era um mapa comum; era uma lista de alvos. Cidades atacadas, cidades marcadas para serem atacadas. O Culto de Tiamat tinha um plano, e aquele mapa era uma peça crucial para desvendá-lo. A informação era ouro, ou talvez, mais valiosa que qualquer tesouro que pudéssemos encontrar.

Continuamos a busca, com a ideia fixa de encontrar o cultista fujão que escapara do refeitório. Eu, particularmente, esperava uma cena digna de um pantomimeiro, com ele escondido debaixo da cama, tremendo. Mas, para minha surpresa (e um pouco de decepção cômica), não havia cultista. Em vez disso, ao removermos a cama, revelou-se um alçapão. Um caminho para as profundezas, um convite para o desconhecido.

Reunimos todos os companheiros. Hector, como sempre, liderou a descida, seu escudo iluminado à frente, abrindo caminho. Eu, fiel à minha natureza, fiquei na retaguarda, observando cada sombra, cada som. O túnel era estreito, a pedra fria, e a expectativa pesava no ar.

Saímos em uma sala que parecia um altar. O ar era pesado, impregnado com o cheiro de incenso e algo mais… algo que me fez apertar o punho na rapieira. E lá estavam eles. Dois guardas, o cultista fujão (sim, ele estava lá!), e, para nosso desespero e fúria, Langdedrossa. E ao lado dele, uma figura imponente que reconhecemos das descrições: Frulam.

A tensão era palpável. Langdedrossa, que já nos havia quase levado à ruína uma vez, agora tinha companhia. Dois líderes. Aquele era um desafio que nos faria pagar caro por cada passo. Mas não éramos mais os mesmos. A jornada, as cicatrizes, as vitórias e as quase-derrotas haviam nos endurecido. Éramos como couro batido, mais resistentes, mais afiados. Não havia tempo para ter medo.

Arkain, com sua mente rápida e magia pronta, agiu primeiro. Um gesto, e uma teia pegajosa se formou, prendendo Frulam e um dos soldados. Seraphina, sempre engenhosa, seguiu o exemplo, conjurando seu Círculo da Lua. A luz mística envolveu Frulam, travando-a em um círculo de dor e confusão. Isso nos deu a vantagem que precisávamos: lidar com o resto, um de cada vez.

O cultista fujão, o mesmo que eu esperava encontrar debaixo da cama, veio em minha direção. Ele parecia me ver como o alvo mais fácil, o caminho mais rápido para a saída. Tentou me atacar com sua adaga, mas falhou miseravelmente. Eu, com um sorriso quase imperceptível, decidi “dar uma chance” a ele. Deixei-o pensar que poderia passar, que a liberdade estava ao seu alcance. Ele parecia feliz, seus olhos brilhando com a esperança de escapar, e se preparou para descer pelo alçapão.

Mas então, Hector, aquela honesta máquina de matar, gritou, alertando-o para a batalha que ainda rugia. Minha oportunidade de uma estocada teatral pelas costas foi arruinada. Mas não importava. O cultista, agora confuso e exposto, encontrou minha rapieira. E o chão. Morto.

Quase ri quando finquei minha espada no guarda que, em um momento de pura tolice, me deu as costas. Alguns nunca aprendem.

Enquanto isso, Hector e Armyn, com uma sincronia brutal, acabavam com Langdedrossa. O draconato caiu, e o peso daquele confronto finalmente se dissipou. Restava apenas Frulam, ainda presa na teia e no círculo de Seraphina. Ela não teve chance. Atacada por todos os lados, sua resistência se desfez.

A batalha estava acabada. O silêncio que se seguiu era pesado, mas vitorioso. No entanto, a vitória era apenas parcial. Os ovos. Os ovos de dragão ainda estavam lá. E sabíamos que a verdadeira ameaça ainda não havia sido neutralizada.


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