A Última Corrida

Saímos da bruma em disparada. O acampamento estava em caos — gritos, passos apressados, ordens sendo berradas por cultistas que ainda tentavam entender o que estava acontecendo. Aproveitamos a confusão, desviando entre as barracas, nos escondendo nas sombras, correndo quando ninguém olhava. O cheiro da névoa fétida ainda pairava no ar, repelindo os mais corajosos. Foi a nossa salvação.

Chegamos até os cavalos e partimos o mais rápido possível.

O perímetro do acampamento, embora vigiado, estava vulnerável. Era como se ninguém ali tivesse sido treinado para impedir uma fuga — apenas para conter intrusos. E assim cruzamos a linha. Estávamos fora.

Mas a liberdade durou pouco.

Dois cavaleiros nos seguiam. Garras do Dragão — figuras sombrias envoltas em armaduras negras, impassíveis, predadoras. Não gritaram. Apenas nos caçavam com a convicção de quem serve a algo maior e cruel.

Hector foi o primeiro a agir. Puxou as rédeas, virou o cavalo e partiu para o combate. Nós o seguimos.

A luta foi curta, violenta, decidida. Eles tinham força. Nós tínhamos propósito. Eles seguiam ordens. Nós protegíamos vidas.

Vencemos.

Antes de retornarmos à cidade, fizemos um desvio necessário. Enterrado em um local seguro estava o tesouro da cidade — aquele que o culto havia roubado e que agora precisava ser devolvido. Era mais do que ouro. Era justiça.

Mas a vitória foi amarga.

Linda estava estranhamente quieta. Seu rosto empalidecia, os olhos pesavam. Foi então que notamos: havia sido atingida. Uma zarabatana, talvez. Pequena. Venenosa. Invisível no caos da fuga. Seraphina correu com ela aos clérigos assim que chegamos à cidade, mas as notícias não foram boas.

Veneno de dragão. Forte demais. Raro demais. Letal, se não tratado. Linda não morreu… mas não acorda. Está em coma, presa entre mundos, aguardando a cura.

E nós?

Restamos com o peso da vitória e a urgência de continuar.


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *