A Voz das Massas

Enquanto Linda e eu observávamos do topo da torre, nossos companheiros cumpriam suas próprias missões no coração do acampamento inimigo.

Armyn, com sua lábia afiada e a habilidade de se misturar aos humildes, dirigiu-se à área de separação dos tesouros. Lá, fingindo ser apenas mais um entre os trabalhadores cansados, se aproximou dos carregadores e operários. Com seu jeito simples e amigável, rapidamente conquistou a confiança de alguns — e com ela, vieram palavras sussurradas, risadas cúmplices e, enfim, os segredos que precisávamos descobrir.

Contaram-lhe que Rezmir, uma temida “Presa de Dragão”, era quem comandava tudo por ali. Ela era superior direta de Langdedrosa Cyanwrath, o meio-dragão que havíamos enfrentado em Greenest. A figura de Rezmir era envolta em temor e reverência, e seu título de “Presa de Dragão” representava um alto posto dentro da estrutura do culto, parte de uma curiosa hierarquia baseada em partes do corpo de um dragão — presas, asas, olhos, garras — cada uma designando um nível de poder e influência dentro da organização.

O mais alarmante, porém, foi a confirmação de que dentro da caverna nos fundos do acampamento, estavam criando ovos de dragão. Não se tratava apenas de acumular ouro e capturar inocentes — havia ali uma verdadeira incubadora de horrores, que poderia pôr um novo exército dracônico em marcha. Todo o tesouro reunido estava sendo armazenado nesse local sagrado e restrito, em nome de Tiamat.

E quanto ao monge? Os trabalhadores sabiam. Leozin Erlanthar, o elfo que estávamos buscando, estava sendo mantido vivo e torturado, pressionado para revelar tudo o que sabia sobre o culto, seus inimigos, seus planos. Ele era tratado como uma ameaça valiosa — e isso significava que ainda havia tempo para agir.


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