Com a luta finalizada e o cheiro de ácido ainda pairando no ar, nos reagrupamos. Passamos bandagens nas feridas, tomamos nossas poções – o calor líquido era um alívio bem-vindo – e decidimos investigar nossa próxima rota. A parte dos fundos do altar não levava a lugar algum; erguia-se uma parede de pedra que não poderíamos escalar.

Escolhemos então uma outra saída, perto do livro de cânticos. Ali, parecia mais uma entrada do altar – aquela que não usamos, pois entramos por uma passagem secreta. Parecia que estávamos fazendo o caminho inverso, desvendando a caverna de trás para frente.

Entramos por um corredor, com paredes de pedra que se erguiam de ambos os lados, nos forçando a andar em fila indiana. Novamente, Hector à frente, escudo erguido, Armyn a segui-lo, Arkain e eu guardando a retaguarda enquanto Seraphina caminhava entre nós, ainda um pouco atordoada pela experiência ácida e a quebra do ovo.

Assim que Hector chegou na próxima sala, parecia que novamente encontrávamos um ambiente com muita gente e muito barulho. Ouvi a gritaria de algo atacando Hector e tive apenas tempo de gritar: “Recuar! Forcem o combate no corredor!”. Recuamos, novamente, para a sala do altar, deixando que o que estivesse atacando Hector nos seguisse enquanto este erguia o escudo e recuava, defendendo-se com a maestria de um paladino.

O plano era simples: deixar os inimigos no corredor enquanto ficávamos em uma área mais aberta. Isso já havia funcionado uma vez, criando um funil de morte. Mas não contávamos com algo. Alguém no universo havia decidido dar asas a alguns kobolds, e esses levantaram voo na caverna, já que o teto era bem alto. Perdemos nossa vantagem tática no corredor, mas não nossa garra.

Hector focava nos inimigos do solo, impedindo que esses chegassem até nós com seu escudo e espada, uma muralha inabalável. Enquanto isso, o resto de nós – Armyn disparando flechas com precisão, Arkain conjurando e disparando bolas de fogo, e eu usando meu arco e flecha para atingir os kobolds no ar e no solo à distância – nos concentrávamos nos kobolds voadores. A estratégia deu certo; quase não fomos atingidos, e os kobolds caíam como moscas, alguns com um guincho agudo, outros com um baque surdo no chão da caverna.

Podíamos novamente seguir nosso caminho em frente… ou para trás, já que estávamos percorrendo a caverna em reverso. A aventura nunca é tão simples quanto os bardos cantam, mas sempre encontra um jeito de nos surpreender.


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