Reunidos em meio à tensão e à poeira do acampamento, finalmente nos reencontramos com Seraphina e Armyn. Em sussurros rápidos, trocamos tudo o que havíamos descoberto. Era como se cada peça do quebra-cabeça finalmente se encaixasse: o culto não apenas armazenava tesouros e mantinha prisioneiros — estavam criando dragões. O ouro era para nutrir o nascimento dessas criaturas. Os cativos, alimento.
Não podíamos esperar mais. Precisávamos salvar os prisioneiros, principalmente Leozin Erlanthar, o monge elfo que havíamos conhecido em Greenest. Ele resistia à tortura, mas sabíamos que seu tempo estava acabando.
Nos afastamos rapidamente para evitar cruzar o caminho de Langdedrosa, que se dirigia à caverna com sua imponência cruel. Conseguimos encontrar Hector, que havia caminhado pelas extremidades do acampamento, escutando conversas fragmentadas entre cultistas. Ele confirmou o pior: os prisioneiros seriam sacrificados, alimentando os dragonetes.
Foi ali que traçamos nosso plano. Seraphina criaria uma névoa densa para cobrir nossa movimentação e, com sorte, confundir os sentidos dos guardas. Mas para fazer os prisioneiros escaparem, precisaríamos disfarçá-los.
Nos dirigimos a uma fileira de cabanas, onde esperávamos encontrar mantos de cultistas. Tentei entrar sorrateiramente para pegar alguns… e fui pega. Não uma, mas três vezes. Cada vez que minhas mãos tocavam o tecido, alguém acordava ou me flagrava. Sem opção, improvisei. Fingi estar perdida, errando de barraca, buscando algo para um superior mal-humorado — uma encenação tosca, mas que funcionou o suficiente para evitar maiores consequências.
Foi então que Armyn entrou em cena. Com sua fala afiada como uma lâmina polida, assumiu o controle da situação. Disse que aquilo fazia parte de uma missão urgente e que os mantos seriam usados imediatamente, por ordem superior. Convenceu os cultistas de que era melhor não fazer perguntas e, com isso, conseguimos os disfarces sem mais incidentes.
Com os mantos em mãos, corremos até o pátio onde os prisioneiros estavam acorrentados. Leozin estava lá, machucado, mas vivo. Seraphina sussurrou palavras arcanas e ergueu duas cortinas de névoa: uma espessa e obscurecedora, para ocultar nossa ação, e outra fétida e nauseante, que afastou os cultistas mais próximos.
Linda e eu nos apressamos em arrombar os cadeados. Meus dedos trabalhavam com velocidade e tensão — conseguimos libertar quatro prisioneiros e Leozin, antes que os primeiros alarmes fossem soados. Quando os atacantes finalmente chegaram até nós, sabíamos que continuar libertando os demais colocaria em risco todos os que já havíamos salvo. Não podíamos transformar uma missão de resgate em um massacre.
Com os prisioneiros sob nossos cuidados, corremos. Vesti-los com os mantos enquanto fugíamos foi uma dança desesperada, mas eficaz. Nos esgueiramos entre tendas e sombras, contornando grupos confusos, até alcançar os cavalos.
Montamos e partimos, sem olhar para trás. Atrás de nós, deixamos um acampamento alarmado, mas ferido. À nossa frente, a liberdade — e as respostas que Leozin talvez pudesse nos dar.

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