Enquanto Armyn se misturava habilmente entre os trabalhadores do acampamento, nossa companheira Seraphina Folha de Chá teve um destino menos glorioso. Confundida com uma mercenária de baixo escalão, foi designada a tarefas degradantes, típicas do nível mais inferior da pirâmide hierárquica daquele lugar. Coube a ela alimentar dragonetes com restos de corpos e limpar seus excrementos com uma pá — trabalho brutal, sujo e perigoso, diante de criaturas que pareciam mais famintas do que domesticadas.

Mas mesmo em meio àquele cenário grotesco, Seraphina não perdeu o foco. Observadora como sempre, percebeu que os baús de tesouro estavam sendo levados constantemente para dentro da caverna onde também eram mantidos os ovos dos dragões. Aquilo confirmava o que já suspeitávamos: o centro de tudo, tanto o nascimento quanto a riqueza, estava escondido sob a rocha daquela montanha.

Decidida a se infiltrar mais, ela se ofereceu para ajudar a carregar o tesouro. Durante essa movimentação, acabou se encontrando com Armyn, que, naquele momento, já havia se tornado uma figura confiável entre os operários. Foi nesse instante que Linda e eu, do alto da torre de vigia, conseguimos avistá-los — mesmo sob disfarce, conseguimos reconhecer Seraphina à distância, carregando um baú maior do que ela mesma.

Ao mesmo tempo, nossos olhos se fixaram em uma figura ameaçadora que se aproximava: Langdedrossa. O dragão-humano caminhava com passos lentos, mas decididos, em direção à entrada da caverna. E cruzaria diretamente com nossos companheiros.

Sem perder tempo, abandonamos nossa posição de observação e descemos da torre com rapidez. Chegamos até Seraphina e Armyn a tempo de dispensar os outros carregadores com uma desculpa convincente — assumiríamos o transporte do baú a partir dali. O que quer que dissessem, poucos discutiam com cultistas decididos. Com isso, pudemos nos reagrupar discretamente, conversar rapidamente entre os quatro e alinhar nossos próximos passos… antes de reencontrar Hector e completar o grupo.


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