Hoje foi o dia. Finalmente deixei o acampamento e parti para minha primeira aventura. Ainda consigo sentir o peso da espada que meu pai me deu, pendurada na cintura, e o cheiro da capa que ele usava – um misto de couro envelhecido e algo que não consigo descrever, mas que me traz uma estranha sensação de conforto. O chapéu, largo e desgastado, protege meu rosto do sol, mas não consigo evitar pensar: por que ele me deu essas coisas? Ele nunca foi um homem de muitas palavras, mas sempre conversamos abertamente sobre tudo… menos sobre o passado dele. Ele nunca mencionou ter sido um guerreiro ou aventureiro, mas essas coisas que ele me deu… elas contam uma história diferente.

O treinamento com Zoltan, amigo do meu pai, foi duro, mas necessário. Aprendi a manejar a espada com mais destreza do que jamais imaginei possível, e os truques que ele me ensinou… bem, digamos que não são exatamente “honestos”. Mas, cá entre nós, quem precisa ser honesto num mundo como este? Zoltan sempre dizia que a sobrevivência é a única virtude que importa.

Agora, estou preparando as malas para partir rumo a Ninho Verde. Conheço bem aquela cidade – já a visitei várias vezes com meu pai quando ele ia negociar com os mercadores locais. Dessa vez, porém, não vou para comprar ou vender. Vou para oferecer meus serviços como aventureira. Ninho Verde é um lugar movimentado, cheio de pessoas e problemas. Alguém sempre precisa de ajuda por lá, seja para proteger uma caravana, recuperar um item roubado ou resolver algum mistério. E eu estou pronta para provar que posso fazer isso.

Enquanto arrumo minhas coisas, minha mente vagueia para as histórias que ouvi na infância, contadas ao redor da fogueira. Histórias de heróis, traições e tesouros perdidos. Será que um dia meu nome figurará nas canções? Ou serei apenas mais uma cigana errante, esquecida pelo tempo?

Por ora, sigo em frente. A noite está chegando, e o céu já começa a se pintar de tons alaranjados. Amanhã, estarei a caminho de Ninho Verde, pronta para enfrentar o que quer que o destino reserve para mim. Afinal, não é isso que uma aventureira faz?


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