Negócio de Heroína

Após a dura fuga e o confronto com os Garras do Dragão, retornamos a Greenest trazendo mais do que alívio — trazíamos justiça. O tesouro da cidade, que o culto havia saqueado, foi finalmente devolvido. O prefeito Nighthill nos recebeu com gratidão sincera. Seus olhos mostravam o peso que carregava desde o ataque, agora um pouco mais leve.

Linda foi deixada sob os cuidados dos clérigos locais. Ainda em coma, imóvel, pálida — um lembrete cruel do que enfrentamos. Fizemos tudo o que podíamos por ela. Agora, era hora de nos preparar para o que viria.

Alguns de nós seguiram direto para a hospedaria. Eu, no entanto, sabia que ainda havia trabalho a fazer. Fui ao mercado. Precisávamos de poções, e a sorte sorriu para mim — ou talvez fosse minha lábia e presença que encantaram o mercador. Consegui um ótimo acordo: para cada cinco poções de cura compradas, a quinta sairia de graça.

Voltei para a hospedaria, onde fui recebida como devia — como heroína. E heróis, ao contrário do que dizem os bardos, não vivem só de glória: vivem de conforto também. Um desjejum digno: ovos, bacon, pão fresco, vinho… e um banho quente. Tudo por conta da casa.

Ao acordar, me dirigi à mesa principal, certa de que todos ainda dormiam. O estalajadeiro me confirmou que só Armyn já havia saído. Pedi que preparassem o café da manhã para todos e me acomodei, aproveitando meu momento como merecia.

Quando Seraphina acordou, chamei-a para sentar comigo. Comemos juntas, trocando histórias e impressões da noite anterior. Foi então que Hector apareceu — sério, direto. Ia ao templo. Tentei convencê-lo a vir conosco ao mercado comprar poções, mas ele recusou. “Deveres de paladino”, foi o que disse. Bem, quem sou eu para impedir um homem santo?

Seraphina e eu, depois de comermos com calma, seguimos para o mercado. No caminho, acabamos reencontrando Hector, que aparentemente reconsiderou. Todos compramos poções de cura — e como compramos em quantidade, o mercador cumpriu sua promessa.

E como foi combinado, as poções de graça foram dadas a mim.

Agora sim, estava pronta. Preparada para o que viesse.

E o que veio foi o chamado do monge, Leozin Erlanthar — o mesmo que resgatamos do acampamento. Ele pediu para nos encontrar. Havia algo que precisava nos dizer. Algo importante.

Sei reconhecer o cheiro de mudança no ar.

A próxima aventura nos chama.


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