Tínhamos algum tempo antes de nos encontrarmos com o monge Leozin Erlanthar, então Serafina e eu decidimos visitar um mercador de ervas na cidade. Serafina buscava ingredientes para suas magias, cogumelos de todos os tipos e plantas específicas. Eu… queria aprender um pouco mais sobre ervas — e, sinceramente, precisava de algo para relaxar.
Quando comentei com o vendedor que procurava algo relaxante, ele me mediu rapidamente com os olhos, anotou mentalmente minhas proporções como um alfaiate experiente, e desapareceu por alguns instantes nos fundos da tenda. Voltou com um belíssimo cachimbo, que parecia feito sob medida. Madeira escura, polida com maestria, decorado com um fino aro de prata e uma pequena pedra violeta incrustada no bojo. Ao segurá-lo, a sensação era imediata: esse era meu cachimbo. Aceitei sem hesitar.
Com as compras feitas, voltamos para a estalagem, onde encontraríamos Leozin.
Quando ele chegou, compartilhou conosco informações importantes: era um membro dos Harpistas, uma sociedade secreta que atua nas sombras, lutando por liberdade e equilíbrio. Segundo ele, outros grupos também estavam se organizando diante da ameaça do Culto do Dragão, e uma aliança estava sendo formada. Por ora, nossa missão era simples: retornar ao acampamento e observar. Descobrir o que havia mudado. Não era necessário entrar na caverna — ainda.
Achei sua causa… intrigante, e deixei isso transparecer de forma sutil. Leozin percebeu a mensagem e apenas respondeu que conversaríamos mais no futuro.
Foi então que ele nos presenteou com armas — mas não armas comuns. Eram verdadeiras obras-primas da forja: belíssimas, equilibradas e dignas de reis, embora nenhuma delas fosse mágica.
Escolhi para mim a mais bela rapieira que já vi: a guarda era moldada em bronze escurecido, em forma de chamas entrelaçadas; o cabo, coberto por couro vermelho escuro, terminava em uma pedra âmbar facetada. A lâmina, fina e prateada, reluzia como mercúrio à luz da manhã. Era leve, veloz e mortal. Perfeita para mim.
Serafina recebeu um arco curto de madeira élfica escurecida, com entalhes prateados em forma de folhas outonais — discreto, elegante, silencioso. Exatamente como ela.
Armyn ficou com um arco de madeira comum, sem ornamentos, mas de acabamento primoroso. Sua leveza contrastava com o peso natural da madeira densa usada, e o equilíbrio da peça deixava clara a qualidade do artesão. Ao segurá-lo, era evidente: aquela era uma arma de excelência.
Hector recebeu uma espada longa de estilo clássico, sem encantamentos ou exageros, mas feita com tanto cuidado que reluzia como uma peça de família antiga. A lâmina, perfeitamente forjada, parecia saída diretamente do arsenal de um cavaleiro de lenda.
Por fim, Leozin nos apresentou Arkain, um mago que nos acompanharia nessa nova missão. Seu olhar calmo e postura reservada indicavam sabedoria — e talvez algum poder que ainda descobriríamos.
Com armas novas, aliados renovados e um novo objetivo, estávamos prontos. O Culto podia ter dragões… mas nós tínhamos propósito.

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