“Socorro!” O grito escapou dos meus lábios antes que eu pudesse contê-lo, uma mistura de surpresa e fúria. O tentáculo, mole e pegajoso, apertava meu pulso com uma força que me fazia sentir como uma boneca. Tentei cortar aquela coisa asquerosa com minha rapieira, mas antes que pudesse desferir um golpe eficaz, outro tentáculo me atingiu com um baque surdo, jogando-me para trás. O mundo girou, e por um instante, o teto da caverna dançou diante dos meus olhos.
A voz grave de Hector cortou a névoa da dor. Não distingui as palavras, mas o timbre familiar me trouxe de volta. Senti suas mãos firmes em mim, e uma onda de energia quente se espalhou pelo meu corpo. O poder de Bahamut, sempre tão prático. Abri os olhos, a consciência retornando em um piscar. Sem perder um segundo, saquei outra poção e a bebi, sentindo o líquido revigorante descer pela garganta.
Levantei-me, cambaleante, mas de pé. A cena ao meu redor era um turbilhão de ação. Meus companheiros, heróis de verdade, haviam se movido rapidamente para me auxiliar. Armyn disparava flechas com uma precisão mortal, cada uma encontrando seu alvo nos dragonetes que sibilavam e atacavam. Hector, com sua espada, era uma força imparável, atingindo os pequenos dragões com golpes poderosos. Arkain conjurava e disparava bolas de fogo, iluminando a escuridão da caverna com explosões de luz.
E então, Seraphina. Com um brilho nos olhos, ela se transformou em um bode. Um bode! “Por Bahamut!” ouvi Hector exclamar, mas não havia tempo para questionar. Ela correu em direção aos monstros, com uma determinação cômica, mas os dragonetes, ágeis, desviaram no último instante. Com um baque surdo, Seraphina atingiu a rocha atrás deles, sacudindo a caverna.
Retornei à luta, ainda cercada, mas agora com um propósito renovado. Precisava me posicionar, sair do centro da confusão e ajudar a cercar essas criaturas. Enquanto me movia, buscando um flanco, algo veio voando do nada, por detrás das rochas. Jarros, contendo cola ou talvez fogo alquímico, atingiram o chão com um estardalhaço. Desviei por um triz, mas Hector, sempre na linha de frente, não teve a mesma sorte. Um dos jarros o atingiu em cheio, e ele ficou grudado no chão, sua mobilidade drasticamente reduzida. “Isso não é justo!” ele resmungou, tentando se soltar.
Ainda assim, o grupo não vacilou. Continuamos a golpear os dragonetes, e um deles finalmente caiu, com um guincho agudo. O estrangulador, que ainda tentava se debater, recebeu um golpe mortal de Armyn, e seus tentáculos pararam de se mover.
Com um inimigo a menos e o estrangulador neutralizado, aproveitei a oportunidade para me reposicionar novamente, desta vez buscando ver o que havia por trás das rochas de onde os jarros haviam vindo. E lá estavam eles: três kobolds, descarregando caixas de bombas de fogo e cola. Eles me olharam, e por um instante, houve um silêncio constrangedor. Seus olhos se arregalaram, e eles se entreolharam, como se tivessem sido pegos com a mão na massa. Pela segunda vez naquele dia, a cena parecia saída de uma comédia. A aventura nunca é tão simples quanto os bardos cantam, mas às vezes, é ainda mais engraçada.

Deixe um comentário