A estrada continuava a nos guiar, e as palavras do Cervo-Rei sobre o “castelo no céu” ainda ecoavam em minha mente. Alguns dias depois de deixarmos o rio de ouro para trás, o horizonte nos presenteou com uma visão que gelou o sangue de todos nós. No meio de montanhas escarpadas, surgiu um castelo sinistro, abandonado, suas torres quebradas apontando para um céu cinzento. E, para tornar a cena ainda mais macabra, um esqueleto de dragão gigantesco jazia sobre uma das muralhas, como um aviso petrificado.

A pergunta pairou no ar, não dita, mas sentida por todos: “Poderia ser Naerytar?” Se fosse, os cultistas certamente desviariam para lá, e nosso plano de segui-los estaria garantido. Mas se não fosse, desviar do nosso caminho agora, arriscar uma aventura paralela e perder a trilha dos nossos verdadeiros alvos, seria uma tolice imperdoável. A prudência, por mais que eu deteste admitir, prevaleceu. Decidimos não fazer nada, mantendo o foco na caravana, nossa verdadeira presa. A melodia da aventura, por vezes, exige paciência, e eu, Mira Nocturna, sei que o tempo certo para a ação sempre chega.

Passados mais alguns dias, a rotina da caravana, com seu ritmo monótono, me levou a buscar um momento de treino. Peguei minha rapieira, a Dama Esmeralda, e me dirigi a uma árvore robusta, imaginando um duelo com um inimigo invisível. Mas, no instante em que a lâmina tocou a casca, algo terrível aconteceu. Minha rapieira, a joia de cristal esmeralda que pulsava com um brilho próprio, começou a enferrujar e desaparecer, virando pó entre meus dedos. Um desespero gélido me invadiu. Minha arma, minha extensão, se desfazendo!

Antes que eu pudesse sequer gritar, o cenário ao redor do acampamento mudou. Um incêndio irrompeu, chamas lambendo o céu e engolindo a escuridão da noite. O ar ficou denso com fumaça e o cheiro de queimado. O céu, antes estrelado, tornou-se um manto negro e opressor. E então, uma voz feminina, macabra e fria como a morte, ecoou por todo o vale, perfurando o silêncio do terror: “Encontrei vocês”.

Acordei com o suor frio escorrendo pela testa, o coração martelando no peito. Foi um pesadelo, um terrível pesadelo. Mas quando olhei ao redor, a cena era ainda mais perturbadora. Apenas o nosso grupo havia acordado, todos com a mesma expressão de choque e terror nos olhos, pois todos haviam tido seu pesadelo pessoal.

Não era apenas um pesadelo. Era um aviso. Seja lá o que fosse aquilo, estava realmente atrás de nós e, para meu horror e excitação, havia nos encontrado. A melodia da aventura, agora, tinha um tom sombrio e pessoal. E eu, Mira Nocturna, estava pronta para enfrentar o que quer que o destino nos reservasse. Afinal, não é isso que uma aventureira faz?


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