Saí do quarto, a adrenalina ainda pulsando em minhas veias, mas com a mente já voltada para o próximo passo. Precisava encontrar o restante do grupo, sincronizar nossas descobertas e avançar. Desci as escadas e, logo na base, encontrei Sofia, que me aguardava com um brilho nos olhos. Ela me fez um sinal discreto, apontando para uma mesa mais afastada, onde um grupo de cultistas estava reunido.

E lá estava ele. Heitor.

Nosso paladino, agora o guerreiro Heitor de poucas palavras, estava sentado entre os cultistas, mas não como um deles. Sua postura não era nem amiga, nem submissa, mas inegavelmente dominadora. Ele gesticulava com uma autoridade que fazia os outros encolherem, e a cena era tão impressionante quanto inesperada.

Mais tarde, Sofia me explicou os detalhes, e eu não pude deixar de sorrir com a audácia de Heitor. Ele simplesmente se sentou à mesa com os cultistas e, antes que qualquer um deles pudesse protestar, já estava esbravejando. Chamou-os de patéticos e desprezíveis – e aposto que, naquele momento, ele nem sequer precisou mentir. Finco um dos mapas que havíamos recuperado e a adaga de um Garra do Dragão (aquela que eu lhe entreguei para a encenação) na mesa, como se para sublinhar cada palavra. Ele declarou que estava ali porque o trabalho deles precisava de ajuda e que ele estava ali para ajudar. Não vamos dizer que ele estava ali para ajudar a matá-los, mas a ambiguidade de suas palavras era perfeita.

Heitor não estava sozinho em sua performance. Allan, nosso patrulheiro do arco relâmpago, o auxiliava com uma discrição letal. Enquanto Heitor impunha sua presença, Allan já plantava as sementes da infiltração, sussurrando a frase secreta que havíamos aprendido: “Louvada seja a glória de Tiamat”, esperando a resposta “eles vão retornar”.

Os cultistas, visivelmente intimidados, recolheram-se em seus assentos. Todos, exceto um: o líder. Ele, que não queria perder seu cargo ou sua autoridade, indagou se Heitor era realmente quem dizia ser. Mas a voz firme de nosso paladino e seu olhar inabalável não deixaram dúvidas. O líder, embora relutante em ceder, sabia que não teria chances em um confronto direto e aceitou dividir o fardo – ou, como eu via, o controle.

Assim, Heitor e Allan agora eram, para todos os efeitos, parte do culto. Estávamos cada vez mais perto de descobrir onde ou o que era Naerytar. A melodia da aventura ganhava novos acordes, e a infiltração, com sua mistura de bravata e estratégia, era uma das mais fascinantes que eu já havia presenciado.


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