As batalhas recentes haviam me cobrado um preço. Ferimentos aqui e ali, pequenos cortes que ardiam e contusões que latejavam, mas não havia tempo para desistir. A adrenalina ainda corria em minhas veias, e a missão era clara. Saquei duas poções de cura do meu cinto e as bebi enquanto caminhava pelo local, sentindo o calor líquido se espalhar, aliviando um pouco a dor e me dando um fôlego extra.
Nossos passos nos levaram a uma câmara mais profunda, e lá, no centro, vi um poço. Não um poço de água, mas um buraco escuro e úmido, e dentro dele, a visão que tanto buscávamos: ovos de dragão. Gigantes, de um tom escuro e ameaçador. Era para isso que havíamos vindo, afinal. Para impedir que mais dessas criaturas vissem a luz do dia.
Hector, com sua voz grave e autoritária, anunciou o que já suspeitávamos: “São ovos de dragão negro”. A frase ecoou na caverna, carregada de um peso sombrio. Não sei quem fez o movimento primeiro, se fui eu ou ele. Aposto que Hector foi motivado pela honra, pelo dever de um paladino de Bahamut de purificar o mal. Eu? Eu apenas não queria lidar com filhotes de dragão caso eles eclodissem. A ideia de enfrentar mais dragonetes, ou pior, dragões, me dava calafrios.
Então, agimos. Cada um de nós escolheu um ovo. Minha rapieira, recém-encantada com a luz de Arkain, desceu com um golpe preciso. O som foi oco, mas satisfatório. Os dragões dentro, bem formados mas ainda não prontos para a vida, deram um suspiro final, quase inaudível, e morreram. Um por um, os ovos se quebraram, e a ameaça que continham se desfez.
Restava um ovo. Aquele último. Minha rapieira já estava se movendo, rápida, talvez rápido demais. Eu queria acabar com aquilo de uma vez por todas, selar a vitória. Mas quando fui atacar, algo segurou minha mão. Um tentáculo. Mole, fétido, pegajoso, envolvendo meu pulso com uma força surpreendente. Era o tal do estrangulador, o monstro que havíamos visto menção sobre em anotações de algum cultista.
Antes que eu pudesse reagir, tomar uma bofetada de outro tentáculo, que me atingiu com um baque surdo, jogando-me para trás. Ao mesmo tempo, de trás das pedras, saíam dois dragonetes, pequenos, mas com olhos cheios de malícia e escamas negras reluzentes.
Parecia que isso não acabaria nunca. Eu estava cercada, meus companheiros longe, ainda lidando com seus próprios alvos ou se reagrupando. Precisava girar rapidamente, minha rapieira pronta para cortar o que viesse. A aventura nunca é tão simples quanto os bardos cantam

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