A cidade, com suas vielas e cantos escuros, era um palco perfeito para segredos. Armyn, com sua discrição élfica, reuniu-nos em um local afastado, longe dos olhares curiosos que poderiam nos delatar. A sensação de estar à beira de uma descoberta, de poder ser pega, me dava um arrepio que eu, Mira Nocturna, adorava. Era o tempero da aventura, a promessa de algo grandioso.

Armyn, com um sorriso contido que mal disfarçava seu orgulho, explicou o plano que ele e Arkain haviam arquitetado. Um plano, devo admitir, genial. Arkain, com sua mente aguçada, já havia detectado uma magia peculiar vinda do interior da grande carroça dos cultistas alguns dias antes, e agora, com sua magia, havia tornado Armyn invisível, uma sombra sem forma. Com seus passos silenciosos, Armyn deslizava como o vento, e foi ele quem se aproximou daquela mesma carroça que tanto me intrigava, encarregado de encontrar a fonte da magia.

Com a invisibilidade como cobertura e seus próprios movimentos furtivos, Armyn conseguiu entrar na carroça. Lá dentro, ele encontrou o que esperávamos: diversos baús. E ao abrir o primeiro, a visão de tesouros! Muitos tesouros, brilhando na penumbra. Colares, copos, anéis e moedas douradas se espalhavam diante de seus olhos. Não havia tempo para vasculhar tudo, então ele abriu alguns, procurando o item mágico que Arkain havia sentido. Infelizmente, a fonte da magia permaneceu elusiva, mas Armyn, com sua praticidade, não saiu de mãos vazias. Ele removeu sutilmente o que pôde e, antes que pudesse ser descoberto, saiu da carroça.

Ao se reunir conosco, Armyn não apenas narrou sua proeza, mas distribuiu os frutos de sua “investigação”. Entre colares, copos, anéis e moedas douradas, fizemos as contas. Pelas estimativas, teríamos cerca de 200 peças de ouro para cada um de nós – o equivalente a 20 peças de platina. Um sorriso satisfeito brincou em meus lábios. Afinal, merecíamos. Depois de descobrir que não receberíamos platina pelo nosso trabalho de segurança, e considerando que era melhor um tesouro usado contra o culto do que a favor dele, a justificativa era perfeita.

Ainda assim, um pensamento ficou preso em minha mente, uma melodia inacabada: será que teríamos outra oportunidade de ver o que há nos baús restantes? A aventura nunca é tão simples quanto os bardos cantam, e a promessa de mais tesouros é uma canção que eu, Mira Nocturna, sempre estaria disposta a ouvir.


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *