Segredos de Pedra e Vinho

Descemos pelas escadas, passando pelas pilhas de corpos dos cultistas que haviam caído em nossa emboscada. Nenhum sinal do fujão — o único sobrevivente da batalha anterior. Decidimos então explorar o novo andar da caverna.

A partir do refeitório, duas portas chamavam a atenção: uma delas larga, de madeira robusta, bem cuidada e com ferragens em bom estado; a outra, antiga, desgastada e esquecida pelos zeladores do culto. Naturalmente, começamos pela mais imponente.

Ao abri-la, revelamos um aposento luxuoso para os padrões subterrâneos: guarda-roupas de madeira escura alinhados contra a parede, uma escrivaninha com mapas e anotações, uma estante repleta de livros, uma cama cuidadosamente arrumada com lençóis surpreendentemente limpos. Seraphina e Hector ficaram por ali, procurando pistas. Parecia ser um quarto reservado para alguém importante — Rezmir, talvez, ou Langdedrossa Cyanwrath.

Enquanto isso, Arkain, Armyn e eu fomos investigar a porta batida. Ao abri-la, deparamos com uma pequena adega mal iluminada, e no chão, desmaiado e roncando entre garrafas vazias, um cultista.

Decidimos interrogá-lo.

Armyn iniciou a abordagem à sua maneira: cauterizou pequenas partes do braço do homem com a tocha, buscando arrancar respostas. O bêbado reagia apenas com murmúrios confusos, como se estivesse brigando com um sonho. Aquilo não estava funcionando.

Armyn então saiu e voltou pouco depois, trajando as vestes de um superior do culto — provavelmente um Garra de Dragão —, buscando um novo ângulo: autoridade. Fingimos ser um grupo de ataque que havia retornado de uma missão, apenas para encontrar o acampamento abandonado. Ele acreditou.

Disse que, após o ataque de um grupo de intrusos — sim, nós — e a fuga dos prisioneiros, o acampamento havia sido evacuado. Mas os ovos de dragão permaneciam na caverna, protegidos por aqueles que haviam ficado para trás com a missão de garantir sua segurança a qualquer custo.

A essa altura, já tínhamos o que precisávamos. Eu, sinceramente, não via valor em prolongar aquilo. Um homem patético, bêbado e insignificante, que não tinha mais o que oferecer. Deixei Armyn e Arkain decidirem o que fazer com ele e saí, voltando à sala luxuosa para me juntar a Seraphina e Hector. Talvez precisassem de mim — e de alguém com mãos menos sujas naquele momento.


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