Estrada para Chamas

Estrada para Chamas

Juntei-me a uma caravana rumo a Ninho Verde. Greenwald, um comerciante gentil, ofereceu-me carona em sua carroça em troca de proteção. Aceitei, claro. Éramos sete ao todo: na frente, Greenwald segurava as rédeas, eu sentava ao seu lado e uma hobbit simpática, de sorriso fácil e olhos brilhantes, ocupava o espaço restante. Na parte de trás, três aventureiros e a neta de Greenwald, uma garota de cabelos escuros e olhos curiosos, se acomodavam como podiam.

A neta de Greenwald era especial – tinha o brilho de aventureira nos olhos e uma curiosidade que não se contentava com respostas simples. Em determinado momento da viagem, ela ergueu a voz, orgulhosa, e anunciou a todos: “Um dia serei uma maga, como minha mãe!”. Ela mostrou seus bonecos de aventureiros, que carregava consigo como tesouros, e seu entusiasmo era contagiante. Era impossível não ver a determinação naquela jovem, mesmo que ainda faltasse experiência em seu olhar.

Enquanto a estrada se desenrolava à nossa frente, cantarolamos juntos, minhas canções ciganas misturando-se às histórias que Greenwald contava. Foi um momento tranquilo, quase ingênuo, como se o mundo lá fora pudesse esperar enquanto a música nos transportava para longe de qualquer preocupação.

Mas tudo mudou quando avistamos Ninho Verde do topo da colina. A cidade ardia em chamas, o fogo consumindo telhados e torres que eu conhecia tão bem. O paladino, com sua voz grave e autoritária, sugeriu que Greenwald ficasse para trás. “É muito perigoso”, ele disse, como se a decisão já estivesse selada.

Mas eu não podia aceitar isso. Ergui-me no banco da carroça, a capa balançando ao vento quente que vinha da cidade em chamas. “Greenwald!”, chamei, minha voz firme e clara como o som de uma lira em meio ao silêncio. “A hora é agora. Foi para isso que viemos – para proteger, para lutar, para fazer a diferença. Não podemos ficar parados enquanto Ninho Verde queima!”

Ele hesitou, seus olhos buscando os meus, e por um momento, vi o medo nele. Mas então, algo mudou. Ele acenou com a cabeça, determinado, e gritou para os cavalos: “Vamos!”. A carroça acelerou, descendo a colina em direção à cidade a uma velocidade assustadora.

Quando chegamos ao portão, Greenwald não conseguiu segurar a carroça. Os cavalos, assustados pelo fogo e pela fumaça, corriam descontrolados, e a carroça capotou com um estrondo que ecoou pela área. Foi poeira e abacates para todo lado, uma cena caótica que parecia saída de uma comédia, se não fosse pelo perigo iminente.

Quando a poeira começou a baixar, vi algo que parecia milagroso: os aventureiros e eu havíamos aterrissado com uma precisão impressionante, como se tivéssemos nascido para aquilo. Eles já estavam de pé, armas em mãos, olhando para o portão da cidade com uma determinação que fazia o ar ao redor parecer carregado de energia. Prontos para a ação, pareciam heróis saídos de uma das histórias que eu tanto admirava.

Eu estava ali, no meio deles, com o coração acelerado e uma excitação que tomava conta de mim. Era minha primeira aventura de verdade, e cada batida do meu coração parecia ecoar as histórias que ouvia ao redor da fogueira quando criança. Histórias de heróis, de batalhas épicas e de tesouros perdidos. Agora, eu estava vivendo algo que poderia se tornar uma dessas histórias.

Olhei para a neta de Greenwald, que se levantava rapidamente, ainda segurando seus bonecos de aventureiros. Seus olhos brilhavam com a mesma empolgação que os meus, e ela parecia pronta para enfrentar o mundo. Era como se eu estivesse vendo uma versão mais jovem de mim mesma – aquela menina que sonhava em ser lembrada, em ter seu nome cantado nas histórias.

Enquanto o fogo iluminava o céu noturno e o cheiro de fumaça enchia o ar, senti uma mistura de medo e determinação. Ninho Verde precisava de nós, e eu, Mira Nocturna, não podia fugir. Esta era a hora de provar meu valor, de transformar sonhos em realidade.


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