Perdemos tempo com os trogloditas, e encontramos um beco sem saída e sem tesouros. Retrocedemos para o platô onde encontramos os stirges, e lá vimos uma passagem. Esta estava coberta por panos e um fedor vinha por de trás delas. Hector começou a atravessar as cortinas, mas eu podia ver que ele também não estava em condições de ter uma luta feroz. Pedi para deixar que eu olhasse antes; cautela agora era a chave.

Minha cautela valeu a pena. Atrás das cortinas, arames farpados, uma armadilha para qualquer um que passasse apressadamente, mas nenhum desafio para alguém com cautela. Cortei o arame e passamos, Hector e eu na frente. Chegamos no topo de uma escadaria. Lá embaixo, víamos uma criatura, mais um daqueles kobolds alados. Parecia estar cortando carne, parecia estar sozinho, mas minha cautela novamente veio à tona. Não precisávamos lutar com ele de forma aberta. Sei que Hector iria preferir uma batalha honrosa, mas meu arco foi mais rápido. Antes que o kobold pudesse nos ver ou ouvir, minha flecha já estava em sua garganta, nem mesmo tempo para gritar e alertar outros deixei. Não tenho tempo ou forças para floreios; nesse momento, serei uma máquina assassina nas sombras.

Decidi nem mesmo descer; fiquei na porta observando enquanto Hector descia com Armyn e Arkain para observar. Eles viram: o kobold realmente estava sozinho, acorrentado – esse não poderia voar mesmo se tentasse – e cortava carne de tudo quanto é tipo: animais, pessoas, e até mesmo kobolds. O que era tudo aquilo, não fazia ideia. Porque ele estava acorrentado, não entendia. Seria ele um prisioneiro? Não havia mais sentido em perguntar aquilo, não em um momento em que ainda precisávamos sobreviver.

Enquanto observava a cena lá embaixo, uma pontada de reflexão me atingiu. Aquele kobold solitário, provavelmente o último da caverna, me fez pensar. Se o grupo não estivesse tão exausto, tão em frangalhos, talvez pudéssemos ter tentado interrogá-lo, como fizemos com G’nar na floresta. Talvez ele explicasse o porquê de estar acorrentado, talvez pudesse ser dissuadido a deixar o culto, a buscar uma vida diferente. Mas agora, essa possibilidade estava perdida, silenciada pela minha flecha. Eu não compartilhava da visão de Hector de que todo kobold merecia a morte, mas, naquele instante, não podia arriscar a vida de nenhum de nós em busca de uma “honra” que, para mim, muitas vezes parecia uma melodia desafinada diante da crueza da sobrevivência.

Nos retiramos daquele aposento, mais um beco sem saída, e voltamos para o platô. Parecia que agora a única direção seria a saída da caverna. Tymora havia nos agraciado, mas eu continuava a confiar em sua ajuda. A aventura nunca é tão simples quanto os bardos cantam, mas a sobrevivência é a única virtude que importa.


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